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Essa sou eu... Estou fazendo o melhor que eu posso com as ferramentas que tenho. E, nesse momento, isso é tudo que eu consigo ser.

July 2, 2017

 

 

A vida tem me ensinado que chegar em último lugar também é uma vitória.

 

A cada metro a mais que caminho e a cada pequena tarefa que consigo executar, a alegria é tanta que comparo a cruzar a linha de chegada de uma maratona. Para mim, é uma grande vitória.

 

Celebro cada novo dia que chega e olho para tudo e todos como se fosse a primeira e a última vez. Agora chego em último lugar sem problemas, agradeço e celebro cada passo dado.

 

E eu falo agora, porque a minha vida já foi um descompasso só...

 

Comecei a trabalhar muito cedo e sempre estudei. Tinha 12 anos, quando assinei minha carteira de trabalho pela primeira vez. Queria ajudar meus pais com as contas e também queria poder pagar as minhas.

 

Queria sempre melhorar e aprender mais. Se a jornada era de 8h eu trabalhava 10h, 12h... Queria conquistar, surpreender as pessoas e assim que isso acontecia eu queria partir. Tinha um desejo imenso pelo novo e por liberdade. Vivia pedindo demissão, trocando de cidade, de casa, de carro e até de amigos. E, quando não era possível trocar nada, eu mudava os móveis de lugar.

 

Sentia como se algo ainda não tivesse acontecido em minha vida.

 

Estava sempre buscando estar a frente, me superar. E o mais louco disso tudo é que, para mim, chegar em primeiro nada tinha a ver com ser a melhor e sim com SER A MAIS FORTE.

 

Frases como: “Neste mundo, só os fortes sobrevivem,” “Não há lugar no mundo para os fracos” e “Só serei amada se eu for forte”, era como um gravador tocando o tempo inteiro nos meus ouvidos. E eu ainda achava que tinha de fazer tudo sozinha e para isso eu tinha outra frase: “Ai de mim se não fosse eu.”

 

Eu nem rezava, porque quem tinha de fazer algo por mim era eu mesma. Eu mal interagia com as pessoas porque eu não podia perder tempo, cada minuto perdido eram coisas que eu deixava de fazer. Enquanto alguém falava comigo, eu aproveitava o tempo para pensar na próxima tarefa.

 

Com o tempo, comecei a perceber que algo não estava dando muito certo nos meus planos, as conquistas vinham chegando e o vazio continuava, a sensação de vitória e plenitude durava alguns poucos minutos e eu já precisava sair correndo em busca de uma outra coisa que preenchesse a sensação de falta. Estava sempre a olhar para além do que meus olhos podiam ver.

 

Amante do risco e desafios, era a primeira a experimentar e desbravar. Tinha um certo prazer em quebrar as regras. Afinal, só os corajosos e os muito fortes quebram as regras.

 

Eu era a que aguenta. A última a ir dormir, a última a parar de trabalhar. Podia estar um trapo mas precisava aguentar, tinha de ser forte.

 

Quando criança, sonhava em ser uma guerreira, fazer justiça, achava que seu fosse forte o suficiente ia ser amada por todos. Mas embora quisesse muito ser amada, falar sobre amor era demonstrar fraqueza.

 

A forma de eu demonstrar o meu amor era dizendo: “Pode deixar, eu cuido de tudo”. Pra mim o amor era medido pelo o quanto eu podia dar, fazer e proteger as pessoas que eu amava.

 

Alimentar essa personagem que eu mesma criei, me exigia trabalhar muito, dominar e controlar quase que o tempo todo. Dormia pouquíssimas horas e tinha orgulho disso, pois alimentava minha ilusão de “EU SOU FORTE”.

 

Eu estava tão exausta que, nos últimos tempos, eu desejava muito ficar doente, porque doente eu poderia descansar.

 

E foi o que aconteceu... Há alguns anos, a vida literalmente me parou. Dois meses depois de recebermos a notícia que meu marido estava com câncer,  fui diagnosticada com MAV (Mal Formação da Artéria Venosa). Naquele mesmo mês, passei por um procedimento na cervical e perdi todos os movimentos do pescoço para baixo. Mas eu achava que ainda estava no controle, continuava coordenando tudo e todos. Então dez meses depois, meu marido faleceu.

 

Fim da ilusão. Percebi que eu não possuía e nem controlava nada. Todos esses acontecimentos me fizeram olhar para o que realmente importa nessa vida.

 

Mesmo assim, ser forte ainda era o que me movia, agora tinha que me superar. Provar para os médicos que eu poderia andar novamente e para as pessoas que eu podia seguir sozinha. E eu aguentei firme, exatamente para mostrar que eu era forte.

 

Uma vida inteira negando minhas fraquezas e agora eu negava a dor física também.

 

Mergulhei profundamente em um processo de autoconhecimento e a loucura continuou a mesma, eu só substitui uma coisa pela outra. Antes trabalhava sem limites, e agora estudava, fazia cursos e buscava desesperadamente curar tudo em mim.

 

Ultrapassei todos meus limites e, nesse descompasso, perdi até o limiar da dor, para parar, tinha que desabar no chão.

 

Mas o universo é mesmo mágico e quando estamos prontos, anjos sem asas são colocados em nosso caminho. Cada encontro se transforma em uma cura e tudo muda em um único instante.

 

As vezes é um abraço, uma escuta sincera ou pessoas dispostas a verdadeiramente partilharem da tua dor.

 

Esses encontros têm me permitido respirar, descansar e ser cuidada.

 

E, quando você se permite ser vulnerável e se abre ao que o outro tem a te oferecer, com total entrega, você percebe que a força está justamente na coragem para mostrar sua vulnerabilidade.

 

Ser forte me serviu por muito tempo, mas hoje abri espaço em mim e tenho me permitido falar das minhas dores e descansar.

 

Completamente? Ainda não.

 

Mas ESSA SOU EU. Estou me trabalhando, me conhecendo e fazendo o melhor que eu posso com as ferramentas que tenho.

 

E nesse momento, isso é tudo que eu consigo SER.

 

 

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