Reinterpretando a si mesmo

July 7, 2017

 

 

 

"Quando não resolvido, o passado destrói a nossa vida. Ele enterra nossos dons especiais, nossa criatividade e nossos talentos. E, quando essas partes de nós mesmos não são recuperadas, ficam estagnadas dentro de nós; em vez de as usarmos em harmonia com nosso mundo, nós as empregamos contra ele. Julgamos estar furiosos com o mundo e queremos mudá-lo, na expectativa de que, se ao menos ele fosse diferente, seríamos capazes de viver nossos sonhos. 

 

Mas somos nós que precisamos mudar. Estamos com raiva de nós mesmos por não persistirmos, por não honrarmos a força divina que existe dentro de nós, por não permitirmos nos expressar tão verdadeiramente quanto de fato desejamos. Acreditamos estar bravos com nossos pais porque eles nos reprimiram no princípio de nossa vida. Na realidade, estamos com raiva de nós mesmos por perpetuarmos aquela repressão. É como se, há muito tempo atrás, alguém nos tivesse posto em uma jaula e, embora ela já não exista há bastante tempo, nós ainda tivéssemos a sensação de estar lutando contra suas grades imaginárias. A jaula são as limitações que nos impusemos, as dúvidas que nutrimos em relação a nós mesmos e o nosso medo. 

 

Aprendemos que é uma tarefa difícil ir atrás dos nossos sonhos; mas talvez ainda não tenhamos percebido que é até mais difícil viver dia após dia sabendo que não os estamos perseguindo. Nós fomos deixados vazios de desejo, que é a chave do preenchimento do nosso potencial espiritual. Ficamos com o desespero, que cresce lentamente e se expressa em nosso corpo na forma de doenças e em nossa psique como fúria. Se não quisermos fazer as pazes com o passado, nós simplesmente lançaremos nossa fúria e nosso desespero no futuro. A força para olhar com clareza seu passado e recuperar aspectos seus que em algum momento você rejeitou está dentro de você. Basta fechar os olhos, mergulhar em seu íntimo e fazer perguntas. O poder de que você precisa está lá, mas ele só vai aflorar quando o desejo de mudar sua vida for mais forte do que o desejo de permanecer na mesma situação. É sempre mais fácil culpar os outros pela condição em que se encontra nessa vida. 

 

Quando perdemos contato com nosso eu, perdemos contato com a nossa divindade, e como não confiamos em nós mesmos passamos a não acreditar nos outros. Para algumas pessoas, a dor do passado é tão grande que elas acreditam que a única maneira de enfrentá-la é negando a própria culpa e acusando os outros. Você precisa incorporar seu passado, se quiser modificar o seu presente. Se quiser manifestar seus desejos, você tem que se dar conta de tudo o que acontece no seu mundo. Para saber qual será o futuro de uma pessoa, basta olhar para o passado dela. O passado nos leva a concluir que tudo o que podemos esperar do futuro é uma variação daquilo que já temos. Isso faz com que a maioria das pessoas estacione; obscurece a visão delas e destrói seus sonhos. 

 

Olhe em volta e observe como a maior parte das pessoas nunca muda. Se você comparar a vida delas agora e daqui a vinte anos, perceberá apenas uma pequena variação do tema original. Nossos problemas cruciais, sejam eles relativos a sexo, dinheiro, relacionamentos, saúde ou carreira, muitas vezes se conservam dominantes por toda a vida. Nosso passado molda o que dizemos, o que vemos e como vivemos. Algumas pessoas não prolongam apenas o próprio passado, mas também o de seus pais. A dor é passada de geração a geração, e, se não for questionada, jamais quebraremos o ciclo. 

 

Começamos a renunciar a partes de nós mesmos por causa de nossas convicções mais profundas, que estão sempre relacionadas com a família e com a infância mais remota. O que nossos pais faziam ou deixavam de fazer tinha grande impacto na nossa vida. Os que cuidavam de nós e os professores também contribuíram para o que somos agora. A dor que você sofreu quando tinha 2, 6 ou 8 anos está logo abaixo da superfície de sua consciência. Até que seja transformada, permanecerá sempre ali, dirigindo sua vida. A maioria das pessoas jamais explora suas convicções mais profundas para verificar se as escolheu conscientemente. 

 

Toda semana, conheço gente que quer ser artista ou escrever livros, mas tem a mais absoluta certeza de que não será capaz de realizar seus desejos. Quando pergunto a essas pessoas por que, elas me dizem que não são suficientemente talentosas ou educadas para isso. Confiam em suas razões, mas não em seus sonhos. E se formos procurar a origem de suas convicções, descobriremos que, com freqüência, alguém a quem elas amam lhes disse, expressamente ou não, que não eram capazes de concretizar seus sonhos. Como nunca questionaram essa idéia, elas ficaram presas a ela e nem ao menos tentaram alcançar o que seu coração desejava. As convicções profundas que regem a nossa vida soam mais ou menos assim: “Não consigo fazer isso. Isso nunca vai acontecer na minha vida. Não mereço. Não sou bom o bastante para isso”...

 

...Adotamos inconscientemente muitas convicções de nossas famílias, e o restante das escolhas que fazemos é tingido por essas crenças sem que jamais nos perguntemos: “Essa convicção me valoriza?” Com freqüência, estamos apenas seguindo os passos dos nossos  familiares. Isso é bom quando a realidade que você adota o faz feliz; mas, se isso não acontece, questione a situação...

 

...Toda vez que interrompo minhas respostas automáticas ao me examinar bem de perto, elevo minha conscientização, e então posso me liberar do meu passado. Muitas pessoas decidiram que não serão como seus pais. Mas precisamos saber que levamos anos assimilando as qualidades positivas e negativas de nossos pais. Eles fizeram o melhor que podiam ao nos dar o passado deles. Não podemos modificar a forma como fomos criados, e, quando quisermos procurar lições em nossas experiências, seremos capazes de perceber que cada incidente nos deu a oportunidade de aprender e crescer.

 

...Os desafios em nossa vida podem nos fornecer discernimento para nos livrarmos de um passado que sufoca nossas paixões e nos mantém isolados de nosso centro espiritual. Um velho mestre diz: “O mundo é um professor para o sábio e um inimigo para o tolo”. Nenhum acontecimento é doloroso em si e por si mesmo; tudo é uma questão de perspectiva. É importante compreender que tudo o que acontece no mundo é exatamente como deveria ser. Não há erros nem acidentes. O mundo é um céu paradisíaco e um abismo sem fundo. Quando compreendemos que não podemos ter um sem ter o outro, fica mais fácil aceitar o mundo como ele é. 

 

Olho para o meu passado cheio de mentiras e de ilusão, dor e mágoa, drogas e sexo, mas sei que, sem todas essas experiências e a escuridão que me acompanhou durante tanto tampo, eu não teria sido capaz de ensinar como faço hoje. 

 

Todos os incidentes do meu passado, as noites insones, as lágrimas derramadas me deixam um pouco mais perto de cumprir a jornada da minha alma. Ninguém diz aquilo que digo da mesma maneira que eu. Ninguém faz as coisas que faço do mesmo jeito que eu. Eu sou eu e você é você. Cada um de nós é único, e todos nós temos uma jornada própria especial. "

 

 

Trecho extraído do livro de Debbie Ford -"O Lado Sombrio dos Buscadores da luz"

 

 

 

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